04/08/2008

ARQUITETURA SEM ARQUITETOS

Gostaria de saber por que tudo acontece em Belém a respeito de muitas profissões e áreas de pesquisa...Mas, nada de Arquitetura.
Onde estão nossos simpósios? Onde estão nossos concursos de projetos, nossas mesas redondas, nossas discussões acadêmicas, nossos professores, mestres e nossos melhores profissionais?
Será que todos estamos esperando algum trabalho? Ou será que estamos esperando a mensão do nosso nome em alguma coluna social ou em algum outdoor dizendo que ganhamos algum prêmio de arquitetos do ano?
Onde está a Arquitetura? Em toda parte! E onde estão nossos arquitetos? Em parte alguma!
Nossa cidade vive vazia da atuação dos seus arquitetos. Alguns talvez acreditem que arquitetura somente se faz no estúdio, que sem trabalho não há arquitetura, que sem a obra não há arquitetos e que sem o contrato não existe profissão. Talvez essa postura imediatista diante da nossa tão valiosa arte sirva pra alguns justificarem seu isolamento, sua improdutividade diante da Cultura Arquitetônica e sua inutilidade diante da história.
Arquitetura também se faz no seio da vida citadina. No meio do povo, chamando especialistas e leigos pra observação da Grande Arte ( a Grande Arte definitivamente jamais será o cinema)!
Um dia desses, encontrei com o George Venturieri numa vernissage na galeria Teodoro Braga. Estavamos conversando muito sobre arquitetura e design. Nessa conversa surgiu a idéia de visitarmos o Branco de Mello e o professor Milton Monte. Disse-me que o Mestre Milton se queixava de "abandono". Mas talvez o abandono que o professor Monte tenha se queixado não seja o mero abandono das pessoas e do mundo. Creio que o professor se encontrava abandonado pela arquitetura, melhor dizendo, por uma vida socio-cultural de arquitetura!
Acho perfeitamente normal um arquiteto e construtor com o Milton Monte estar com poucos projetos. Quanto a isso, ninguém escapa. Só acho ridículo o professor Monte não ter um simpósio de arquitetura, uma mesa redonda, uma exposição na qual possa ser dignamente homenageado, ou na qual seja chamado e incitado a fazer uma explanação da sua experiência e do seu amor a Grande Arte!
Numa cidade onde nada acontece que estimule a prática inteligente de arquitetura, normal arquitetos veteranos e de idade avançada encontrarem-se esquecidos.
Faço-vos aqui um apelo:
Que tal realizar algo que movimente a Grande Arte em nossa cidade?
Vamos criar um modo de tornar nossa ciência admirada pela sociedade que nos formou. Vamos dar-nos a nós mesmos a felicidade de sermos arquitetos num contexto favorável e de poder, com isso, resgatar a importância que a Arquitetura tem na vida de cada um de nós.
Oro pela felicidade do mestre Milton. Não pela felicidade dele entre filhos, parentes, amigos, que concerteza ele deve possuir, mas oro pela sua e pela nossa felicidade no meio arquitetônico!
Que assim seja!

Um comentário:

  1. Grande Milton Monte!!
    Onde está a inteligência e a postura crítica em arquitetura em Belém? Vejo muita gente burlando legislação urbanística, e não exercitando seu fazer nas limitações, de forma dialética. Pouca pesquisa e muita ação no Ministério Público!
    Nazica que proteja!

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